Ele é um pouco de tudo

Ele é um pouco de tudo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Nós nos conhecemos há tantos anos que eu nem consigo contar. Acredito que desde quando eu ainda estava no ensino fundamental: ele era meu professor de inglês no colégio. E dos bons! O mais incrível é que, longe do politicamente correto ao qual estávamos acostumados, sua aula era recheada de “funcking” isso e “fucking” aquilo. O “fucking” me marcou – eu diria que talvez tenha sido sua palavra preferida por um tempo – e a minha também.

O nome dele é Gilbert Antônio, e ele é um pouco de tudo. Como já sai de Pato Branco há mais de uma década, não acompanhei de perto – mas de longe é claro não perdi de vista – suas últimas empreitadas, e por isso tenho certeza que devo ter perdido muita coisa. Porque ele é desse tipo de gente envolvida em tantos projetos que você não consegue dar conta de ficar à par de todos.

Fazendo um brainstorming rapidinho, consigo mencionar que ele já foi professor de inglês (e uma das razões pelas quais hoje eu consigo traduzir, ainda que não livre de erros, minhas crônicas para essa língua), consultor de imagem e estilo, artista plástico (lembro de obras abstratas lindíssimas. Falando nisso, gostaria de ver novamente!), colunista de revistas, poeta, autor de livros, professor em cursos da área de moda (íamos juntos ministrar um curso de produção de moda, pena que não deu certo), influenciador, consultor em criação de moda… Só para citar um pouco. E se você perceber qualquer semelhança comigo, não é mera coincidência.

Claro que muitas dessas atividades ele desempenha até hoje. Na verdade, eu acredito que, uma vez que a gente aprende a fazer algo e realiza aquele trabalho, a gente nunca deixa de fato de ser aquele profissional: a gente agrega outros projetos, muda de carreira, mas se precisar ou se quisermos, podemos voltar a fazer aquilo ali – porque já sabemos e conseguimos, e principalmente quando gostamos. É como eu na carreira de professora: posso não estar dando aulas em nenhum curso agora, mas nem por isso deixei de me sentir capaz disso. “Um vez professor, sempre professor”, “uma vez artista, sempre artista”, e uma vez que você conheça o Gilbert, sempre seu amigo.

Mais do que um profissional multipotencial, talvez o primeiro exemplo que eu tenha tido de alguém que faz diversas coisas – e consegue ser bom em cada uma delas -, ele é uma pessoa de caráter excepcional. Numa cidade pequena do interior do sudoeste paranaense, ele conseguiu não só enfrentar inúmeros preconceitos – a começar por ser homem e se vestir bem (sim, lá até isso é chocante) – como ainda se tornar uma celebridade local, sempre com muita empatia e elegância.

O Gilbert sempre teve uma mente sem fronteiras, e é claro que Pato Branco era muito pequena para ele. Mas ao invés de alçar voo e nunca mais voltar, sabe o que ele fez? Por lá permaneceu, porque não adianta sair de um lugar onde você não é compreendido – você precisa educar as pessoas para elas compreendam. É assim que o mundo muda. E foi isso que ele fez. Se houve alguma evolução no paradigma pato-branquense nesses últimos tempos, grande parte disso se deve a ele.

Por essas e outras que não sou apenas sua amiga, sou sua fã. Ele sempre foi um exemplo para mim, em todas as áreas. E se você leu o que escrevi sobre ele e pensou “ela poderia estar falando de si própria”, você está certo. Muito do que sou hoje tem a ver com essa pessoa.

Cada vez que vou a Pato Branco visitar minha família, a gente se cruza na rua. Nunca houve necessidade de marcarmos um café ou um jantar para conversar. Como lá não há muito lugar para ir, sempre nos encontramos na calçada indo ou voltando de algum lugar a pé, ou em algum restaurante comendo, e – não tem jeito – paramos para bater papo, porque é inevitável. Quando percebemos já se passou mais de uma hora, estamos atrasados para os próximos compromissos ou deixamos as outras pessoas esperando.

É sempre assim, e é disso que eu mais gosto: aquela conversa improvisada, não agendada, com alguém que você gosta e admira muito e que rende milhares de insights no meio do dia, no meio da rua, no meio de uma refeição, no meio das outras pessoas… Isso é que é conexão. Dá para sentir. Talvez essa seja a sua maior habilidade: conectar-se profundamente com seus amigos. Ele é desse tipo de gente que não conversa, simplesmente; ele abraça, olha nos olhos, compreende, sugere, incentiva… Ele se aprofunda. Em tudo o que faz, e em suas relações não seria diferente. Ele é profundamente, e ao mesmo tempo, abertamente, ilimitado. Em seu conhecimento, e em seu carinho.

“Minha felicidade, minhas regras.” Gilbert Antônio.

He is a bit of everything.

We’ve known each other for so many years that I can´t even tell. I believe since I was still in elementary school: he was my English teacher. And one of the good! What is more incredible is that, far from the politically correct we were habituated, his class was stuffed with “fucking” this and “fucking” that. The “fucking” marked me – I’d say maybe it was his favorite word for a while – and mine too.

His name is Gilbert Antonio, and he’s a bit of everything. Since I’ve been out of Pato Branco for more than a decade, I did not follow closely – but by far, I haven´t lost sight of – his latest endeavors, so I’m sure I must have lost a lot. Because he is that kind of people involved in so many projects that you cannot handle keeping up-to-date of all.

Brainstorming quickly, I can mention that he was already an English teacher (and one of the reasons why I can translate my chronicles into this language, although not without errors), image and style consultant, artist (I remember beautiful abstract works. I would like to see again!), columnist of magazines, poet, author of books, teacher in courses in the fashion area (we were supposed to give a course in fashion styling together, a pity it didn´t work), influencer, consultant in fashion design… Just to name a little. And if you see any resemblance to me, it is not mere coincidence.

Of course many of these activities he performs until today. Actually, I believe that, once we learn to do something and execute that work, we never really cease to be that professional: we add other projects, change our career, but if we need or if we want, we can to do it again – because we already know and are capable of, and especially when we like it. It’s like me in professor´s career: I may not be teaching in any course now, but I have not stopped feeling capable of doing so. “Once a teacher, always a teacher”, “once an artist, always an artist”, and once you know Gilbert, always his friend.

More than a multi-potential professional, perhaps the first example I have had of someone who does a lot of things – and manages to be good in each of them – he is a person of exceptional character. In a small town in the interior of southwestern Paraná, he was able to not only face innumerable prejudices – starting with being a man and dressing fine (yes, even this is shocking there) – but on top of that become a local celebrity, always with a lot of empathy and elegance.

Gilbert always had a mind without frontiers, and of course Pato Branco was too small for him. But instead of going away and never coming back, you know what he did? He has remained there, because there is no point in leaving a place where you are not understood – you need to educate people to understand. This is how the world changes. And that’s what he did. If there has been any evolution in the paradigm from Pato Branco in recent times, much of it is due to him.

For these reasons and others that I am not only his friend, I´m a fan. He has always been an example to me, in all areas. And if you read what I wrote about him and thought “she could be talking about herself,” you’re right. Much of what I am today has to do with this person.

Every time I go to Pato Branco to visit my family, we come across on the street. There was never a need to schedule a coffee or dinner to talk. Since there is not much place to go, we always come upon each other on the sidewalk going or returning from somewhere walking, or in some restaurant eating, and – there is no way – we stop to chat, because it is unavoidable. When we realize, more than an hour has passed, we are late for our next appointments or we have left the other people waiting.

It’s always like that, and that’s what I like best: that unarranged, spontaneous conversation with someone you like and admire a lot and that raises thousands of insights in the middle of the day, in the middle of the street, of a meal, of other people… That is connection. You can feel it. Perhaps this is his greatest ability: to connect deeply with his friends. He’s one of those people who does not talk, simply; he hugs, looks into the eyes, understands, suggests, encourages… He goes deeper. In everything he does, and in his relationships would be no different. He is deeply, and at the same time, openly, unlimited. In his knowledge, and in his affection.

“My happiness, my rules.” Gilbert Antônio.

Por Patricia Ceccatto

 

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